Escolho o meu disfarce
“Pela Uber não posso trabalhar no meu nome e pago 25€ ao dono da conta, há quem pague mais. Ele dá a foto, o nome, o nib, e até o dinheiro vai para a conta dele. Tens que ter confiança porque já fugiram com o dinheiro dos outros. Eu não existo. Se tiver um acidente eu nunca tive um acidente”.
“Recebemos um deslike sem saber porquê. Os clientes às vezes nem sabem onde moram, subimos tantos andares todos os dias e depois qualquer coisa que acontece a culpa é sempre nossa e somos bloqueados na aplicação. E como é que comes enquanto esperas?”
“Os clientes tratam-me por Marcelo, mas eu não me chamo Marcelo, penso sempre que não é para mim, às vezes até nem olho” [risos]. Sempre que me perguntam porque é que eu não sou a pessoa da foto digo sempre que é do meu primo que está doente. Mas não gosto".
“Trabalhas direitinho e no outro dia chegas à aplicação e a tua pontuação desceu. Isso faz aparecer menos pedidos de entrega. Mandas email, ninguém responde, não tens nenhum sítio para ligar. Toda a gente nos avalia e a gente não tem forma de se defender. Todos mexem com a nossa vida, menos nós”.